quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Com eme maiúsculo

Lá onde eu trabalho tem uma morena. Não, é Morena, com eme maiúsculo. Não que ela seja grande. É estilo mignon. Vinte e cinco anos. Corpo perfeito pro tamanho, entende? Ela é aluna lá. Piercing pequeno e discreto no nariz. Não acho legal piercing no nariz, acho feio e fica vulgar na maioria das vezes. Mas nela...

Tem um sorriso que abre o dia, a voz que ensurdece todos os barulhos da maldita BR atrás de mim, ou das britadeiras caóticas que passam o dia todo tilintando no ouvido. Isso que eu sou surdo. Mas a Morena. Não sei o que ela tem assim de especial. Dela só sei o nome. Falei duas vezes, atendendo, fora os boa noites, ois e até amanhãs que faço questão de dar todos os dias. Mas me parece que ela pode a qualquer momento se desmanchar na minha boca.

Parece besteira, e deve ser. Mas acho que é o estilo que desperta fogo. Já ando cansado de sentimentos mornos, mal compreendidos, e bem interpretados demais. Tem alguma coisa nesse tipo de mulher que não me deixa transparente, ou menos visual. Acho que estou ficando cínico, fraco e vendido. Mas pela Morena vale esse desvio de conduta, um texto bobo. Se bem que no caso dela todo verbo é imbecil.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Aprendi

Aprendi que a língua deve fica dentro da tua boca e no meio teu quadril. Não se usa pra falar.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mais do Mesmo

Já fiz muita coisa errada, já falei muita coisa que não devia. Já falei o que não sinto só para fazer as pessoas sentirem-se melhor. Já fiz o contrário também. Inventei histórias e mudei o final de outras, só para que ficassem melhores aos meus olhos. Já revivi passados que não queria, e fugi de outros que consumiam boa parte do meu tempo, mesmo sem querer que fossem embora. Já fiquei muito tempo sem ver amigos que amo muito, dei muito valor para outros que não mereciam tanta atenção. Já tive as piores decepções e as melhores alegrias, até hoje pelo menos. Chutei o balde quando não devia, engoli o sapo que não podia. Fui bom, fui mau. Fui mal, fui bem. Já inventei um amor, já inventei defeitos para deixar de amar. Apaixonei-me e desapaixonei rápido. Demorei para esquecer. Forcei as lembranças para não esquecer. Menti. Menti. Menti de novo. Acho que mais menti do que falei a verdade. Dizem que a verdade é só uma, mentiras podem ser muitas. E pensando bem, nenhuma delas foi por mal, ou por ser mau. Elas ou foram para fazer alguém feliz, ou para me proteger. Proteção que o tempo me mostrou necessária. Estamos nessa vida de moto, o tombo é certo. Os machucados também. Não temos como escapar da dor. O que fazemos com ela e o que guardamos dela é que nos faz seguir em frente. Porque dor se guarda. Dor serve pra ficar dentro, escondida.

Agora eu só espero a próxima, nem que seja com a mesma.

sábado, 2 de abril de 2011

SIM BEBI UM POUCO, NÃO VOU NEGAR...

Hoje não vou me preocupar com as contas pra pagar. Hoje tirei o dia pra lembrar. Hoje eu quero lembrar de quando as minhas preocupações eram de porque a guria que eu gostava não me queria. E de como o mundo desabava por causa disso. Qual a roupa que ia colocar pra ir pra escola. Como era bom usar Quasar e achar que estava cheiroso. Dançar Recklles e quase ficar com aquela menina que fazia tempo que tava afim, nas reuniões dançantes do vizinho. E quase naquela época era o máximo. Ou passar o dia jogando bola, discutindo futebol e chegar em casa e ver jogo na TV. O tempo que Engenheiros e Nenhum de Nós eram as melhores bandas do mundo. Quando refrigerante não engordava nem dava celulite. Quando as rodas de violão na praça e tomando pé sujo eram os pontos altos do fim de semana, ou então o primeiro beijo tão esperado, arquitetado há semanas. Ou então aquele churrasco, com Fanta uva e ouvindo rádio, porque CD era coisa muito nova e chique. Não que os tempos atuais sejam ruins, não que as responsabilidades, contas, filha e demais situações do meu mundo atual sejam ruins, mas naquela época eu podia tudo! Naquela época todo o mundo era meu, ele seria do jeito que eu sonhasse. Ele não tinha caretas e carecas, todas as minhas paixões podiam ser correspondidas. O pouco dinheiro não era empecilho para as realizações. O pouco era o que bastava para ser feliz. Não era necessário casa, contas, carro, não tinha preocupação com a violência. Não que ela não existisse, ela só não assustava tanto que nem hoje. Pelo menos não pra mim. E tirar a noite para fugir não me faz sentir covarde ou velho, me diz que algumas coisas que me faltam podem estar lá, que talvez eu não seja obrigado a ter tantas preocupações, e que talvez eu não tenha mudado tanto. Me faz bem sentir que o que eu sentia não era moda, e sim o que eu sou.

E Engenheiros e Nenhum de nós ainda são as melhores bandas do mundo

Páginas