sábado, 2 de abril de 2011

SIM BEBI UM POUCO, NÃO VOU NEGAR...

Hoje não vou me preocupar com as contas pra pagar. Hoje tirei o dia pra lembrar. Hoje eu quero lembrar de quando as minhas preocupações eram de porque a guria que eu gostava não me queria. E de como o mundo desabava por causa disso. Qual a roupa que ia colocar pra ir pra escola. Como era bom usar Quasar e achar que estava cheiroso. Dançar Recklles e quase ficar com aquela menina que fazia tempo que tava afim, nas reuniões dançantes do vizinho. E quase naquela época era o máximo. Ou passar o dia jogando bola, discutindo futebol e chegar em casa e ver jogo na TV. O tempo que Engenheiros e Nenhum de Nós eram as melhores bandas do mundo. Quando refrigerante não engordava nem dava celulite. Quando as rodas de violão na praça e tomando pé sujo eram os pontos altos do fim de semana, ou então o primeiro beijo tão esperado, arquitetado há semanas. Ou então aquele churrasco, com Fanta uva e ouvindo rádio, porque CD era coisa muito nova e chique. Não que os tempos atuais sejam ruins, não que as responsabilidades, contas, filha e demais situações do meu mundo atual sejam ruins, mas naquela época eu podia tudo! Naquela época todo o mundo era meu, ele seria do jeito que eu sonhasse. Ele não tinha caretas e carecas, todas as minhas paixões podiam ser correspondidas. O pouco dinheiro não era empecilho para as realizações. O pouco era o que bastava para ser feliz. Não era necessário casa, contas, carro, não tinha preocupação com a violência. Não que ela não existisse, ela só não assustava tanto que nem hoje. Pelo menos não pra mim. E tirar a noite para fugir não me faz sentir covarde ou velho, me diz que algumas coisas que me faltam podem estar lá, que talvez eu não seja obrigado a ter tantas preocupações, e que talvez eu não tenha mudado tanto. Me faz bem sentir que o que eu sentia não era moda, e sim o que eu sou.

E Engenheiros e Nenhum de nós ainda são as melhores bandas do mundo

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