Já fiz muita coisa errada, já falei muita coisa que não devia. Já falei o que não sinto só para fazer as pessoas sentirem-se melhor. Já fiz o contrário também. Inventei histórias e mudei o final de outras, só para que ficassem melhores aos meus olhos. Já revivi passados que não queria, e fugi de outros que consumiam boa parte do meu tempo, mesmo sem querer que fossem embora. Já fiquei muito tempo sem ver amigos que amo muito, dei muito valor para outros que não mereciam tanta atenção. Já tive as piores decepções e as melhores alegrias, até hoje pelo menos. Chutei o balde quando não devia, engoli o sapo que não podia. Fui bom, fui mau. Fui mal, fui bem. Já inventei um amor, já inventei defeitos para deixar de amar. Apaixonei-me e desapaixonei rápido. Demorei para esquecer. Forcei as lembranças para não esquecer. Menti. Menti. Menti de novo. Acho que mais menti do que falei a verdade. Dizem que a verdade é só uma, mentiras podem ser muitas. E pensando bem, nenhuma delas foi por mal, ou por ser mau. Elas ou foram para fazer alguém feliz, ou para me proteger. Proteção que o tempo me mostrou necessária. Estamos nessa vida de moto, o tombo é certo. Os machucados também. Não temos como escapar da dor. O que fazemos com ela e o que guardamos dela é que nos faz seguir em frente. Porque dor se guarda. Dor serve pra ficar dentro, escondida.
Agora eu só espero a próxima, nem que seja com a mesma.
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