Tu é a representação feminina da sociedade que eu tenho medo. Exatamente igual. Seca, medrosa, sem paixão, sem objetivo, sem amor. Personifica exatamente a sociedade moderna: faz tanta máscara para esconder os medos, tanta graça pra esconder os traumas, que os deixa em evidência. Esnoba o que exige comprometimento para deixar claro que não precisa disso, faz pouco das pessoas porque acredita que é assim que se conquista. Faz do sexo a principal arma e principal propaganda, “o que eu tenho de melhor”. Faz da falta dele um castigo. Isso é só um chiste, um desperdício de tempo.
Essa sociedade que é paradoxal, que enoja, enjoa. Ela só se maquia com a tua representação. O teu grande objetivo é sobreviver e se divertir, afinal, qual outro motivo para viver? De que adiantam os amigos se não nos servem para esse intuito? Tu ainda não sabe nem qual objetivo tu tem de vida... Não tem idéia do que vai fazer amanhã, se tudo der errado. Não sabe para onde correr se o teu dia for ruim; cada dia em um lugar. Quando teu trabalho começa a ter tua cara, não te serve mais. Não gosta da tua casa porque é a tua cara, é onde tu encontra a realidade; teu espelho. Já parou pra pensar porque as pessoas te visitam? Qual é o motivo? Tira um ou dois que nunca mais foram, o restante é o que? O nosso mundo reflete o que nós somos...
Quando que você, sociedade, parou para olhar pra mim? De verdade, sem preconceituar a nossa relação, vendo somente quem estava ali, imaginando qual o sentimento naquele momento, num exercício de empatia? Isso me dá medo. Medo porque eu não sei teu próximo passo, e te aproveita para me esculachar, me fazer de bobo que parece teu maior prazer. Me ver não acreditando nesse absurdo te faz bem. Se tudo der errado, e daí? Se tu te magoar, e daí de novo? Seja homem. Talvez a solução seja virar um eremita da tua presença. Ou talvez buscar outra sociedade.
Tem rosa que mesmo que você ágüe e retire os espinhos com cuidado e paciência, vai sempre machucar. Essas você deixa pra tras e na lembrança.
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